WHATSAPP QUER BANCARIZAR AS PESSOAS, MAS SISTEMA NÃO FURA BOLHA

O alcance que o WhatsApp tem no Brasil é invejado por muitos serviços: o aplicativo de mensagens é utilizado por 120 milhões de brasileiros, o que faz do País o segundo maior mercado da rede social, atrás somente da Índia, com 400 milhões. Assim como acontece no gigante asiático desde 2020, agora o mensageiro recebe a opção de realizar pagamentos instantâneos entre usuários, com alcance enorme entre todas as faixas de rendas do Brasil. É uma capilaridade que quase nenhum banco ou fintech tem hoje.

“O WhatsApp tem esse papel de colocar as pessoas no ambiente digital. E, mais do que qualquer outra ferramenta tecnológica, somos nós quem podemos bancarizar as pessoas”, diz o chefe de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, Dario Durigan. Apesar desse poder todo, o executivo ressalta que o aplicativo não é um rival dos players do sistema financeiro e que a plataforma, lançada em parceria com nove instituições financeiras do País, continua aberta para atrair mais bancos ou fintechs interessados em participar do ecossistema.

Esse caminho da desbancarização ainda está para ser desenhado, na visão de especialistas. Até o momento, para usar os pagamentos no WhatsApp, é preciso já ser cliente de uma instituição financeira e possuir cartão de débito, algo que, para muitos milhões de brasileiros, é uma realidade distante. “Por enquanto, não há impacto imediato no tema da inclusão financeira, já que somente clientes desses bancos poderão fazer os pagamentos”, aponta Guilherme Horn, conselheiro da Associação Brasileira de Fintechs (Abfintechs).

Para Adrian Cernev, professor do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a escolha desses parceiros reforça o nicho de clientes bancarizados. “Essas empresas têm capacidade operacional gigantesca, mas não criam vantagens para a população de baixa renda que é desincluída financeiramente e tem um receio grande do que é tecnologia e o que é serviço financeiro”, afirma Cernev. “Por isso, eu ainda não vejo avanço na inclusão financeira com os pagamentos no WhatsApp.”

Zap para PJs

Futuramente, o aplicativo de mensagens pretende lançar no Brasil uma nova etapa dos pagamentos: transferências entre pessoas físicas e jurídicas (P2M, na sigla em inglês), possibilitando que os clientes possam pagar lojistas, por exemplo, no ato da compra. Por enquanto, a ferramenta está em análise pelo Banco Central, a autoridade nacional na regulamentação do sistema financeiro do País.

“Quando essa modalidade de pessoas com negócios ficar disponível, me parece que o ganho de contribuição para o País aumenta”, diz Durigan. Ele explica que, por conta da pandemia, empreendedores atuam com portas fechadas ou em restrição de horário, dependendo do e-commerce para fazer as vendas — e é aí que o WhatsApp entra, tanto como plataforma conversacional como financeira. “É interessante porque as pessoas podem usar o aplicativo para fazer o pré-venda, tirando dúvidas, e o pós-venda, com assistência técnica. Com o modelo P2M entrando, o ganho econômico fica muito maior”, explica o executivo, que diz esperar a implementação do serviço “nos próximos meses”.

O prazo depende do encaminhamento que for dado pelo Banco Central. No ano passado, a autoridade financeira barrou o lançamento dos pagamentos por WhatsApp, planejada para junho de 2020, para avaliar questões de “privacidade e concorrência” — o Pix, sistema nacional de pagamentos instantâneos e bem similar ao que pretendia lançar o WhatsApp, já havia sido anunciado e foi lançado em novembro seguinte. Em março deste ano, o aplicativo finalmente recebeu aval do BC para lançar o serviço.

Fraudes: Grande entrave para a segurança no WhatsApp, fraudes no aplicativo têm ficado mais comuns desde o lançamento do Pix, com criminosos roubando contas dos usuários para se passar por parentes e pedir dinheiro.

Durigan garante que o mensageiro está reforçado para evitar que informações sensíveis, como dados de cartões e de contas bancárias, não sejam transpostas quando a conta é roubada. Como todos os dados no WhatsApp são criptografados, a plataforma não “grava” informações dos usuários na nuvem e não podem ser transferidas de um telefone para outro. Além disso, a ferramenta exige que um PIN (cadastro único de identificação) seja solicitado em todas as operações que o usuário fizer. E pode pedir camadas adicionais de segurança, como leitura biométrica ou reconhecimento facial, ferramentas que celulares intermediários já têm.

“O tema da segurança passa por todo o processo de concepção do produto e também com o diálogo com o Banco Central de que temos um serviço seguro”, certifica Durigan.

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